Durante a reunião realizada na manhã desta terça-feira, na Câmara Municipal de Campina Grande, convocada por hospitais privados e filantrópicos para cobrar o pagamento de repasses do SUS, o vereador Anderson Pila (PSB), líder da bancada de oposição, fez duras cobranças à gestão municipal e aos órgãos de fiscalização.
Em sua fala, Pila destacou que o atraso no pagamento da produtividade hospitalar gera um efeito em cadeia, comprometendo o funcionamento das unidades de saúde. Segundo ele, quando os repasses não são feitos, os hospitais passam a enfrentar dificuldades para pagar insumos, juros bancários, FGTS, INSS e salários dos funcionários, acumulando multas e encargos.
O parlamentar também afirmou que a responsabilidade pela condução da saúde é da Prefeitura, incluindo o prefeito, e criticou tentativas de transferir o desgaste da crise para outras categorias.
Ao comentar a situação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), Anderson Pila lembrou que os salários da categoria — fixados em dois salários mínimos — são pagos com recursos do Governo Federal, que, segundo ele, repassou cerca de R$ 30 milhões no ano passado exclusivamente para esse fim. Para o vereador, atribuir aos trabalhadores o caos da saúde “não é justo nem correto”.
Um dos trechos mais contundentes da fala foi direcionado ao Ministério Público. Pila afirmou que, na sua avaliação, o órgão tem sido excessivamente tolerante com a Prefeitura, deixando de fiscalizar com o rigor necessário os problemas recorrentes da saúde municipal.
“Eu nunca vi um Ministério Público tão bom para a Prefeitura como esse. Infelizmente, não podemos contar com eles. Se pudesse, esse problema já teria sido resolvido”, declarou o vereador durante a reunião.
Os hospitais filantrópicos e privados alertaram que, caso as contas pendentes não sejam quitadas até o dia 1º, há risco de paralisação dos atendimentos, o que pode afetar diretamente a população de Campina Grande.
(ASCOM)

