Mais do que comparar parcela do financiamento e valor do aluguel, decisão deve considerar renda, estabilidade, localização e perspectiva de permanência no imóvel
A decisão entre comprar ou continuar alugando um imóvel envolve muito mais do que colocar lado a lado o valor da prestação de um financiamento e o preço mensal do aluguel.
Em um cenário de crédito ainda seletivo e famílias cada vez mais atentas ao comprometimento da renda, o planejamento financeiro e o momento de vida passaram a ter peso decisivo na escolha.
Para o presidente do Sindicato da Habitação da Paraíba (Secovi-PB), Érico Feitosa, não existe uma fórmula única que determine qual alternativa é melhor.
“A casa própria continua sendo um sonho legítimo, mas ela precisa caber na realidade financeira da família. Comprar um imóvel é uma decisão de longo prazo. Por isso, não basta olhar apenas para o valor da parcela. É preciso considerar entrada, juros, condomínio, IPTU, manutenção e, principalmente, se aquela família terá condições de manter esse compromisso ao longo dos anos”, explica Érico.
O financiamento pode fazer sentido para quem possui renda estável, dispõe de recursos para a entrada e pretende permanecer por um período prolongado no imóvel. Já o aluguel pode ser uma alternativa mais adequada para quem está em fase de mudança profissional, ainda não tem uma reserva suficiente para a entrada ou precisa manter maior mobilidade.
“Às vezes, alugar não significa adiar um sonho. Pode significar fazer uma escolha financeira mais racional naquele momento. Se a pessoa compromete praticamente toda a renda para financiar um imóvel, ela pode perder capacidade de investir, de formar uma reserva ou até de lidar com uma emergência”, afirma o presidente do Secovi-PB.
Outro ponto que costuma ser ignorado na comparação é o custo total de morar. No caso da compra, além da parcela do financiamento, entram na conta despesas como condomínio, IPTU, seguros, manutenção e eventuais reformas. No aluguel, também é necessário considerar condomínio e demais encargos previstos no contrato.
Para Érico, o consumidor deve evitar decisões baseadas exclusivamente em uma comparação imediata.
“Não é simplesmente ‘a parcela é maior ou menor que o aluguel’. A pergunta correta é: quanto essa decisão vai representar no orçamento da família hoje e nos próximos anos? Uma escolha imobiliária saudável é aquela que preserva a capacidade de pagamento e não transforma a moradia em uma fonte permanente de aperto financeiro”, destaca.
O momento do mercado também deve ser levado em consideração. A elevação dos custos de crédito pode dificultar o financiamento para parte dos consumidores, enquanto o aluguel oferece maior flexibilidade para quem ainda não está preparado para assumir uma dívida de longo prazo. O próprio Secovi-PB já vem chamando atenção para os efeitos dos juros sobre o acesso ao crédito imobiliário.
A orientação do sindicato é que o consumidor faça uma análise individual antes de tomar a decisão, considerando renda familiar, valor disponível para entrada, estabilidade profissional, prazo pretendido para permanecer no imóvel, localização e capacidade de absorver despesas adicionais.
“Comprar imóvel não deve ser uma corrida. O melhor momento é aquele em que a família consegue assumir a compra sem comprometer a própria segurança financeira. E, em muitos casos, esperar, continuar alugando e construir uma reserva pode ser uma decisão tão inteligente quanto comprar”, conclui Érico Feitosa.
Assessoria de Imprrensa

