Rádio O Dia PB

Compartilhe as últimas notícias do Brasil!

Quando o assunto é o humorista Shaolin, a gargalhada se torna unanimidade mesmo entre profissionais já habituados com o riso. Fonte de inspiração para muitos deles, cinco anos após a morte do comediante paraibano, parte de uma nova geração de humoristas conterrâneos descreve o legado que o artista deixou para quem sonha e constrói uma carreira na área.

Shaolin morreu aos 44 anos no dia 14 janeiro de 2016, após uma parada cardiorrespiratória, em uma clínica particular de Campina Grande, cidade onde morava. Ele recebia cuidados médicos em casa desde 2011, após sofrer um acidente de carro.

Com reconhecimento nacional, novos nomes ganharam espaço no segmento. Gkay, Rafael Cunha, Linnyke Alves e Odilon Wagner também percorrem um caminho de sucesso na arte de fazer rir.

Shaolin imitando a cantora Joelma em show — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Shaolin imitando a cantora Joelma em show — Foto: Reprodução/TV Paraíba

As imitações de personagens famosos eram um dos muitos destaques da carreira de sucesso que ele ergueu ao longo do tempo. Nomes como Leonardo, Joelma, Michael Jackson e Faustão ganharam novas faces através do olhar de quem enxergava alegria em tudo.

As performances, inclusive, foram eleitas por todos os humoristas como a grande marca do trabalho do artista, que ancorou o nome da Paraíba ao próprio talento.

“Outras pessoas imitam os mesmos personagens que ele. Mas ele fazia de um jeito tão único que a gente vê que estão tentando imitar o próprio Shaolin fazendo a imitação do personagem”, afirmou Linnyke Alves.

Todos compartilham ainda da sensação de cortinas que se fecharam antes da hora, interrompendo o sucesso de Shaolin. Mas também de um espetáculo que não foi encerrado e, que além de aplausos, ainda rende boas e sinceras risadas.

Paraibana Gkay nos bastidores de programa do humor 'Os Roni", do Multishow, protagonizado por ela — Foto: Gkay/Divulgação

Paraibana Gkay nos bastidores de programa do humor ‘Os Roni”, do Multishow, protagonizado por ela — Foto: Gkay/Divulgação

‘Eu tenho orgulho de ser do mesmo lugar dele’, declara Gkay

Gessica Kayane, popularmente conhecida na web como Gkay, é uma das humoristas que se inspirou em Shaolin para seguir carreira na área do humor. Com a voz tomada pela admiração que ainda sente, ela não economiza elogios para falar sobre o ídolo.

“Uma inspiração não só para mim, como pra muitos humoristas aqui do Brasil, não só pelo seu talento e carisma, mas por tudo. Admirava e era fã. Eu tenho orgulho de ser do mesmo lugar dele”, pontuou Gkay.

Enquanto uma das primeiras da nova geração de humoristas, assim como Shaolin foi durante o auge da carreira dele, a paraibana, de 28 anos, revela o quanto levantar as bandeiras do estado e do Nordeste é importante para ela.

“Como mulher [vinda] da internet, esse pioneirismo foi importante […] para mostrar para as pessoas que, sim, a Paraíba é um estado lindo, é um estado incrível e que o Nordeste, na minha opinião, é o melhor lugar do mundo”, prosseguiu.

Com a consciência de quem, agora, inspira outros jovens que têm o mesmo ideal, ela revela como lida com a sensação de ter aberto caminhos para que sonhos, assim como os dela, se realizem.

Eu fico muito feliz em poder ter aberto muitas portas, dado a cara à tapa. Fico muito feliz com cada pessoa que surge. Passei muitos obstáculos, mas acho que foi necessário. Sempre precisa ter alguém para desbravar e dizer ‘eu fui’. E eu fui essa pessoa. Acho que no final deu certo”, disse.

O legado que o artista deixou para ela ultrapassa os limites do humor e aconchega o sentimento de afeto.

“Ele era uma pessoa que transmitia só coisa boa para as outras pessoas. Olha que lindo isso. A pessoa se foi e deixou só energia boa para todo mundo, a alegria de quem só arrancou sorrisos”, concluiu.

Rafael Cunha em seu primeiro show Stand-up Comedy, "Casem, é ótimo!" — Foto: Divulgação

Rafael Cunha em seu primeiro show Stand-up Comedy, “Casem, é ótimo!” — Foto: Divulgação

‘Levou o nome da Paraíba para todo o Brasil’, diz Rafael Cunha

“Levou o nome da Paraíba para todo o Brasil. Sempre foi uma inspiração para todos os humoristas e uma referência para todo o país, inclusive para a Paraíba”. É com essa declaração, que o humorista Rafael Cunha lembra carinhosamente de Shaolin.

O paraibano, que nasceu e mora em João Pessoa, começou a trabalhar com humor há cerca de três anos. A internet também foi o canal mais utilizado para alcançar o público, que hoje, soma 5,2 milhões de seguidores em apenas um perfil de rede social.

Rafael ou o ‘Viga’, como também é conhecido pelos fãs, contou que Shaolin era amigo do pai dele. A convivência enquanto ainda era criança foi pequena, mas o marcou de forma positiva.

“[Shaolin] sempre foi alegre. Ele era aquilo ali na frente e por trás das câmaras. Eu, mesmo criança, lembro que todo mundo gostava dele. Era gaiato e gente fina. De uma hora para outra, sem dar tempo de se despedir, ele foi embora. Todo mundo tinha a esperança que ele pudesse voltar. Infelizmente chegou o dia da morte dele”, lamentou.

Se o pai de Rafael era amigo de Shaolin, hoje ele é amigo do filho do ídolo, Lucas Veloso, que também é humorista. Juntos, eles gravaram um filme brasileiro, que deve estrear nas salas de cinema em junho deste ano. Gkay também atua no longa-metragem.

Para o pessoense, é impossível falar sobre aptidão para reavivar a felicidade e não mencionar o nome de Shaolin.

“Ele é um ícone do humor. Quando fala de humor, você cita cinco ou dez pessoas, e Shaolin está entre eles. Ele provou por A mais B que era um talento nato. Era um gênio. O carisma dele era surreal”, declarou Rafael Cunha.

O que ambos carregam em comum, ao longo da trajetória artística, é a conexão com o público em shows que lotaram teatros e auditórios. Lugares em que a única regra era e continua sendo se divertir.

“A gente fez shows pelo Brasil todo com a casa cheia. Isso era algo inimaginável. A gente não tinha noção. Esse contato é o que mais está fazendo falta na pandemia”, finalizou.

Os shows de Rafael estão suspensos devido à pandemia e devem retornar após o processo de vacinação contra a Covid-19.

‘Primeira vez que tive contato com comédia foi com Shaolin’, lembra Linnyke Alves

“Eu acho que a primeira vez que tive contato com comédia foi com Shaolin”, recordou Linnyke Alves ao se deparar com imagens do artista paraibano em seu baú de memórias.

O humorista, de 21 anos, que nasceu e mora em Santa Rita, trabalha com apresentações de comédia no formato stand-up há cerca de dois anos. Coincidentemente, Shaolin era jurado de um programa do mesmo segmento, que Linnyke assistia na infância.

“Quando soube que ele era da Paraíba minha cabeça explodiu. Foi quando entendi que queria fazer comédia. Acho extremamente necessário a gente ter essa referência. Isso dá uma empolgação maior”, revelou.

G1 Paraíba

Comentários

comments