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O Cacique, Josoaldo da Silva Bernardo, da Aldeia Severo Bernardo, denunciou, na tarde desta quinta-feira, 30, que várias ocas do povo Tabajara foram incendiadas, justamente no último dia do mês de abril, dedicado às lutas e conquistas dos povos originários. Os ataques feitos aos Tabajaras, no município do Conde-PB, ocorreram, justamente, na ausência deles que estavam participando do “8º encontro Abril Indígena”, evento, anualmente, organizado pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

De acordo com informações de populares da Aldeia Tabajara, ainda não é possível dizer se o crime foi feito por pessoas de dentro ou de fora da aldeia, mas que pode ter sido por alguém da própria etnia, sendo de outra aldeia. Após a constatação da destruição das ocas, um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado na Polícia Civil da Paraíba, o caso também foi levado ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF), que a partir de agora também passa acompanhar as investigações.

Carlos Arapuã, cacique da Aldeia Mãe de Gramame, disse que espera que seja feita uma força tarefa com as polícias Federal, Civil e Militar, para investigarem esses crimes e que o executor criminoso, (indígena ou não) seja exemplarmente punido dentro da lei. Carlos Arapuã leva a crer também nos indícios de que o criminoso pertença a própria etnia Tabajara, “mas, isso quem vai dizer são as autoridades competentes após a apuração do crime”, relatou Arapuã.

Enquanto isso, a Professora Drª. Cristiane Nepomuceno, Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena (NEABI) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), disse que repudia este tipo de prática criminosa, covarde, extremamente grave, inadmissível e inaceitável. A professora mencionou que calar diante de um crime deste porte, é ser omisso e que não se pode permitir que uma das mais valentes etnias deste país, que luta bravamente pelo direito à regulamentação do seu território e à sobrevivência cultural étnica, possa continuar sendo agredida e afrontada por tal tipo de prática criminosa. “Espero que este crime (e outros correlatos) cometido em território Tabajara seja investigado com rigor e que seja(m) seriamente punido(as) quem quer esteja por trás de tal ato nefasto. Cada uma e cada um de nós, pesquisadoras/es, educadoras/es, ativista e defensoras/es da luta por reconhecimento de direitos não pode calar diante de tal absurdo. Calar é comungar, é aceitar. Ao Povo Tabajara toda minha solidariedade, respeito a esta etnia sem medo. Que o(s) criminoso(s) seja(m) identificado(s) e, severamente, enquadrado(s)”, pontuou Cristiane Nepomuceno.

O professor indigenista e ativista social João Tavares Neto, disse que está acompanhando este ato de ataque aos povos Tabajara com muita preocupação. Ele mencionou que se for preciso vai mobilizar os movimentos sociais e sindicais de várias partes da Paraíba para fazer um grande ato para mostrar que, os indígenas atacados, não estão sozinhos.

“Seja uma querela interna o que poderá ser mais provável ou ligada a criminosos externos (não queiram afrontar os indígenas, que fazem um trabalho valoroso para a etnia), fiquem sabendo que nós estamos solidários e de olhos bem abertos para combater este tipo de ameaça e de crime cometido contra o histórico povo de Piragibe”, comentou Tavares Neto.

Assessoria de Imprensa

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