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A vereadora Jô Oliveira (PCdoB) fez um dos discursos mais contundentes da sessão na Câmara Municipal de Campina Grande ao denunciar a grave situação da saúde pública do município, especialmente no que diz respeito à assistência às mulheres. Em sua fala, a parlamentar questionou a narrativa apresentada recentemente pelo prefeito Bruno Cunha Lima, afirmando que a realidade descrita pelo Executivo não corresponde ao que a população enfrenta diariamente.

Segundo Jô, a crise na saúde não pode ser tratada como um “ciclo”, como afirmou o gestor municipal. Para ela, o problema se arrasta desde 2021 e se agravou a partir de novembro de 2024, com atrasos salariais, especialmente na área da saúde.

“Que ciclo é esse que é infindável para quem precisa da saúde em Campina Grande?”, questionou.

Mortes no ISEA e silêncio coletivo

O momento mais forte do discurso ocorreu quando a vereadora relembrou mortes recentes de mulheres e bebês relacionadas ao atendimento no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA). Jô citou nominalmente casos como os de Dani, Ravi, Gabriela e de uma adolescente de 15 anos que faleceu após atendimento na unidade, além do bebê que morreu dias depois.

Ao recordar o primeiro ano da morte de Dani e Ravi, completado no último dia 1º de março, a parlamentar lamentou o silêncio público em torno dos casos e afirmou que a sociedade precisa encarar a gravidade da situação.

“Nós não ganhamos absolutamente nada quando uma mulher morre”, declarou.

Jô também denunciou o medo relatado por gestantes que buscam atendimento na unidade. “É estarrecedor você receber uma ligação de madrugada de uma mãe dizendo: ‘Jô, eu estou com medo de morrer aqui’”, afirmou.

Pacto coletivo pela vida das mulheres

Relacionando o debate ao mês de março, marcado pela luta das mulheres, a vereadora defendeu que o enfrentamento à violência de gênero também passa pela garantia de um atendimento digno na saúde pública.

“Um pacto pela vida das mulheres passa também pelo direito delas de parirem com qualidade, com respeito à sua condição de mulheres gestantes.”

Para Jô Oliveira, é necessário um compromisso coletivo da sociedade e das instituições para assegurar que mulheres possam viver a gestação de forma plena e segura. “Com que vidas nós estamos comprometidos?”, indagou.

Denúncias sobre estrutura precária

Além das mortes no ISEA, a vereadora apresentou denúncia sobre as condições de atendimento a pacientes com hanseníase no município. Segundo relato levado à tribuna, um paciente teria sido atendido na garagem da unidade de saúde, por falta de acessibilidade adequada.

“Nem animais são tratados dessa forma”, teria dito o paciente, segundo Jô.

Para a parlamentar, os episódios revelam falhas graves na gestão da saúde municipal. “É falta de capacidade de gestão. Não sabem gerir a saúde em Campina Grande. E quem fica no meio do caminho são as pessoas que precisam do serviço”, afirmou.

Encerrando sua fala, Jô reiterou que seguirá cobrando respostas e defendendo a vida das mulheres e da população campinense, destacando que o debate precisa sair do campo do discurso e se transformar em ações concretas.

Assessoria de Imprensa

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