O bairro do Pedregal, em Campina Grande, viveu um domingo (22) de celebração, memória e resistência cultural com a realização do Encontro de Bois, que teve como destaque a recepção do Boi Chiquititas — uma das agremiações mais tradicionais da comunidade.
Criado a partir da doação de um boi de uma agremiação que encerrou as atividades, o Boi Chiquititas carrega quase quatro décadas de história e segue atravessando gerações. “A gente deu continuidade a esse boi. Ele está com 39 anos e vamos levar até o fim, passando de geração a geração porque o Boi faz parte de uma agremiação muito grande. Se não tiver, como é que vai ter carnaval?”, afirma Ana Silva, diretora do grupo.
Mais do que uma manifestação cultural, o boi se sustenta em laços familiares e comunitários. “É muito família. A coordenação é formada por filhos, mãe, irmãos e amigos que apoiam o Boi Chiquititas”, destaca Ana.
Durante o encontro, as ruas do Pedregal foram tomadas por cores, música e participação popular. Para os moradores, o evento também representa uma ressignificação do território. “É muito gratificante ver uma alegria numa rua da gente onde o Pedregal era discriminado. Mas o Pedregal é isso. É festa. O pessoal daqui é muito acolhedor e gente boa. Chegou no Pedregal está acolhido”, reforça a diretora.
A presença das crianças também evidencia a força da tradição. “A cultura nordestina é o boi. A cultura do carnaval. As crianças gostam do boi. Toda criança quer dançar nesse boi”, completa Ana Silva.
A celebração atraiu não apenas moradores do bairro, mas também visitantes que mantêm uma relação afetiva com a manifestação. “Sempre tem essa expectativa desse momento. Essa atmosfera de alegria e diversão. Nem a chuva me tirou daqui. O boi faz parte da minha vida. Pode me chamar de Artur Gomes Boi”, disse o morador do bairro da Liberdade, Artur Gomes.
Entre os integrantes da agremiação, a continuidade geracional é um dos pilares. João Vitor, diretor do grupo e integrante desde os oito anos de idade, representa a terceira geração da família no Boi Chiquititas. “O Boi Chiquititas para mim é Pedregal, cultura e tradição”, afirma. Atualmente, o grupo reúne mais de 40 integrantes.
A cena de Mariana Silva, também da diretoria, acompanhando o evento ao lado do neto de menos de um ano, simboliza essa transmissão cultural. “É uma alegria manter a tradição do nosso bairro”, disse.
Para quem vive no Pedregal, o encontro é também um momento de cuidado coletivo. “A gente se distrai um pouco. É bom para a gente e para quem participa. Para a autoestima”, avalia a moradora Maria do Socorro Silva.
Entre tambores, danças e afetos, o Encontro de Bois reafirmou o Pedregal como território de cultura viva — onde tradição, família e identidade seguem caminhando juntas.
Assessoria de Imprensa

