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A Câmara Municipal de Campina Grande realizou, na manhã desta quarta-feira (11), uma sessão especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher, promovendo um momento de reflexão e debate sobre os avanços, desafios e ações voltadas à defesa e à proteção das mulheres. A solenidade foi presidida pela vereadora Waléria Assunção e secretariada pela vereadora Jô Oliveira, atendendo a uma propositura da bancada feminina da Casa, aprovada por unanimidade. A iniciativa teve como objetivo prestar homenagens e fomentar discussões sobre os avanços, desafios e políticas públicas voltadas às mulheres.

A mesa foi composta por Crizane Xavier, representando a presidência da Câmara Municipal; Fabiana Gomes, vereadora licenciada e secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação; Marli Castelo Branco, advogada e membro da Comissão da Mulher da OAB; Alana Carvalho, embaixadora do empreendedorismo; e Renata Villarim, palestrante convidada para abordar o tema “Mulher na Sociedade Contemporânea”. A sessão contou ainda com a participação cultural da cantora Estela Alves, além dos vereadores da CASA.

Na ocasião, foi lida uma mensagem enviada pelo presidente da Câmara, Saulo Germano, que estava em viagem institucional tratando de assuntos administrativos do Poder Legislativo. Na mensagem, o presidente desejou votos de um Dia da Mulher repleto de amor, alegria e reconhecimento, reforçando que as mulheres podem contar com o Poder Legislativo na luta diária pelo enfrentamento das desigualdades e pela implementação de políticas públicas e garantia de direitos para as mulheres campinenses e paraibanas.

Durante o uso da tribuna, a vereadora Carol Gomes destacou a responsabilidade da Câmara Municipal na representatividade feminina dentro do parlamento. Ela lembrou que, na legislatura anterior, a Casa já contava com sete mulheres e que atualmente são oito vereadoras ocupando cadeiras no Legislativo municipal, mesmo em um espaço historicamente considerado masculino. Carol ressaltou ainda que pautas como violência doméstica e feminicídio precisam estar constantemente presentes no debate legislativo. Segundo ela, o microfone do parlamento deve ecoar essas demandas e se transformar em ações concretas para as mulheres do município, além de incentivar os colegas vereadores a se engajarem em respostas efetivas para que as mulheres campinenses se sintam verdadeiramente representadas.

A vereadora Jô Oliveira afirmou que a sessão também tem caráter celebrativo, lembrando que há conquistas importantes a serem reconhecidas. Para ela, há motivos para celebrar o fato de as mulheres estarem vivas, eleitas e ocupando espaços de poder. A parlamentar relembrou sua trajetória política e contou que uma de suas motivações para disputar um mandato foi observar, em 2016, que havia apenas uma mulher vereadora na Câmara. Segundo ela, em 2020 o número subiu para sete e, nas eleições de 2024, passou para oito representantes femininas. Jô destacou que, mesmo com diferenças de pensamento, as vereadoras conseguem dialogar e construir entendimentos.

Ao abordar a violência contra as mulheres, Jô Oliveira mencionou a campanha de combate ao assédio realizada durante o período de Carnaval, mas que apesar da realização das ações, a cada poucos minutos uma mulher é vítima de abuso sexual no país, sendo que a faixa etária que mais sofre violência é composta por meninas entre 10 e 14 anos. A vereadora destacou que, enquanto mulheres e parlamentares, é necessário acolher as vítimas e garantir respostas institucionais que assegurem proteção e atendimento adequado.

Ela também apresentou um projeto de lei que institui o dia 26 de agosto como o Dia Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio, em referência ao assassinato de Juliete, vítima desse tipo de crime. Jô relatou que a filha da vítima esteve na Câmara para contar sua história, destacando que perdeu a mãe aos 13 anos de idade após o feminicídio cometido pelo padrasto e precisou assumir responsabilidades familiares precocemente. Para a vereadora, quando ocorre um feminicídio não é apenas uma mulher que sofre, mas toda a família. Por isso, ela espera que o projeto seja aprovado e que o município também se some ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

A vereadora Valéria Aragão afirmou que se sente feliz em fazer parte da atual legislatura e manifestou o desejo de que a bancada feminina cresça ainda mais no futuro, inspirando outras mulheres a ingressarem na política. Ela defendeu a criação de uma frente parlamentar de combate ao feminicídio e lembrou que a vereadora Carol Gomes sugeriu a realização de ações de conscientização durante o São João, incluindo atividades no Parque do Povo. Valéria também pediu o apoio dos colegas vereadores para fortalecer essas iniciativas e parabenizou as mulheres campinenses.

A presidente da sessão, vereadora Waléria Assunção, propôs uma reflexão sobre questionamentos que costuma receber a respeito das medidas existentes para proteger as mulheres, como a Lei Maria da Penha, as medidas protetivas, a Patrulha Maria da Penha, o serviço SOS e a existência de casas abrigo, mas que mesmo com esses instrumentos, os casos de feminicídio continuam ocorrendo. Para a vereadora, uma das respostas para essa realidade está na necessidade de transformação da cultura machista, processo que começa na educação dentro das famílias e na formação das crianças, tanto no ambiente familiar quanto nas escolas e em outros espaços de convivência.

A parlamentar citou ainda projetos de sua autoria que já se transformaram em leis municipais, como o programa Saúde Mulher, a garantia de matrícula ou transferência escolar para dependentes de mulheres vítimas de violência em qualquer período do ano letivo, o selo Campina Grande pela Equidade Salarial e a política de reconhecimento das mulheres protetoras de animais. Para ela, é fundamental que as mulheres permaneçam unidas e ampliem sua presença no parlamento.

A vereadora Aninha Cardoso também compartilhou sua experiência pessoal, lembrando que representa muitas mulheres que conciliam o trabalho fora de casa com os cuidados com a família. Ela ressaltou que a violência contra a mulher tem se tornado cada vez mais alarmante e que o enfrentamento desse problema precisa ser constante. Aninha também destacou os avanços da participação feminina na sociedade, lembrando que, na geração de sua avó, muitas mulheres estavam limitadas apenas às tarefas domésticas. Segundo ela, hoje há mais oportunidades e é motivo de alegria ver mulheres ocupando diferentes espaços e lutando por suas causas.

Representando a presidência da Câmara, Crizane Xavier afirmou que o lugar da mulher é onde ela quiser estar, seja na liderança política, na ciência, no empreendedorismo ou no cuidado com a família. Ela ressaltou que, ao longo da história, mulheres demonstraram coragem e competência para ocupar espaços que antes lhes eram negados. Para Crizane, cada conquista feminina representa um avanço para toda a sociedade. Segundo ela, quando uma mulher avança, toda a sociedade avança junto. Por fim, ela também destacou que as mulheres esperam respeito, proteção e que seus limites sejam reconhecidos, enfatizando a importância de que o “não” das mulheres seja respeitado.

A vereadora licenciada e secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fabiana Gomes, ressaltou que já foram apresentadas mais de 100 matérias legislativas voltadas ao cuidado, proteção e valorização das mulheres. Ela afirmou que carrega com responsabilidade o papel de mulher que ocupa um espaço de decisão, lembrando que mais da metade da população brasileira é formada por mulheres, o que exige sensibilidade e compromisso na construção de políticas públicas. Fabiana também destacou projetos voltados à saúde da mulher, incluindo iniciativas relacionadas à menopausa.

Atualmente licenciada do mandato para exercer a função no Executivo municipal, Fabiana afirmou que continua com o mesmo compromisso com as mulheres da cidade. Ela anunciou que, na semana seguinte, levará ao Clube de Mães do bairro Santa Rosa um projeto de cuidado digital voltado ao letramento tecnológico feminino. Segundo ela, a iniciativa busca empoderar mulheres e mostrar que a tecnologia também é um espaço de atuação feminina. A secretária também destacou que a coordenação de um programa de aceleração de startups do município está sob liderança de uma mulher, demonstrando que o protagonismo feminino também está presente no campo da inovação.

Durante a palestra “Mulher na Sociedade Contemporânea”, Renata Villarim apresentou dados sobre violência de gênero e destacou que o Dia Internacional da Mulher representa um marco histórico de luta e reflexão, não apenas uma data comemorativa. Ela apontou que houve aumento de crimes relacionados à violência contra a mulher e que o Brasil enfrenta uma situação considerada grave em comparação com outros países. Renata destacou que milhares de mulheres são vítimas de assassinato todos os anos e citou mudanças na legislação que ampliaram as penas para crimes de feminicídio.

A palestrante também apresentou exemplos de casos de violência extrema, reforçando que muitas agressões ocorrem dentro do próprio lar, considerado o ambiente onde mais acontecem crimes contra mulheres. Apesar do cenário preocupante, Renata lembrou que ao longo da história houve importantes avanços legislativos, como o direito ao voto feminino, a igualdade de condições, a Lei Maria da Penha e leis de paridade salarial. No entanto, ela ressaltou que ainda há muito a avançar, especialmente no combate à violência de gênero.

A embaixadora do empreendedorismo, Alana Carvalho, destacou a importância das políticas públicas e das conquistas alcançadas pelas mulheres ao longo do tempo, mas também ressaltou a necessidade de fortalecer a identidade e a essência feminina. Ela mencionou a referência bíblica da mulher virtuosa, interpretada como uma mulher guerreira, corajosa e capaz de se levantar diante dos desafios. Para Alana, é fundamental que as mulheres mantenham sua essência humana, não apenas focando no ter, mas na construção de uma identidade forte que fortaleça suas famílias, negócios e projetos.

Encerrando as apresentações, a advogada Marli Castelo Branco, membro da Comissão da Mulher da OAB, abordou o tema da violência política contra a mulher. Ela apresentou dados sobre a participação feminina na política e destacou que, apesar de representarem mais de 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres ainda são minoria nos cargos de poder. Marli também apresentou números relacionados à presença feminina no Congresso Nacional, no Senado e na Assembleia Legislativa da Paraíba.

A advogada relembrou marcos históricos da evolução dos direitos das mulheres, desde a permissão para o acesso feminino à educação, passando pelo direito ao voto, a participação em esportes, a lei do divórcio, a presença nas Forças Armadas, a criação da primeira Delegacia da Mulher, o sistema de cotas na política e a Lei Maria da Penha. Para ela, cada conquista representa um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, embora muitas dessas mudanças tenham levado décadas para se concretizar.

Para acompanhar a sessão completa, acesse o Canal Oficial do youtube (@camaracgoficial). Confira também o andamento das matérias que tramitam no SAPL – Sistema de Apoio ao Processo Legislativo.

DIVICOM/CMCGFoto: © Josenildo Costa/CMCG

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