A vereadora Jô Oliveira (PCdoB) promoveu, nesta sexta-feira (19), uma reunião com o secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Tiago Santana, além de movimentos sociais, coletivos de juventude e organizações da sociedade civil. O encontro, que aconteceu na Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG), teve o objetivo de dialogar sobre a adesão de Campina Grande ao Programa Juventude Negra Viva, e os próximos passos para a implementação da política no município.
O encontro aconteceu após uma articulação iniciada pelo mandato da parlamentar junto ao Ministério da Igualdade Racial, em Brasília, e teve como objetivo aproximar o Governo Federal das entidades que atuam diretamente com a juventude negra e periférica da cidade.
Ao abrir a reunião, Jô destacou que a adesão ao programa é resultado de uma construção coletiva que vem sendo realizada há meses, incluindo a audiência pública promovida pelo seu mandato para debater a realidade da juventude negra da Rainha da Borborema. “Entendemos que era importante reunir aqui as entidades e organizações que vêm construindo essa pauta há muito tempo. A adesão é um passo importante, mas ela precisa ser acompanhada pela participação de quem conhece de perto os desafios enfrentados pela juventude negra em nossa cidade”, afirmou.
A vereadora também lembrou que Campina Grande já figurou entre os municípios brasileiros com elevados índices de violência contra jovens negros, realidade que reforça a necessidade de políticas públicas estruturantes e permanentes. Para Jô Oliveira, a reunião cumpriu um papel importante ao criar um espaço de escuta e diálogo entre o Governo Federal e os movimentos que atuam diariamente nos territórios. “O que queremos é que a juventude negra de Campina Grande participe da construção dessa política desde o início. Não estamos falando apenas de uma adesão formal, mas da construção de uma agenda permanente que enfrente as desigualdades, amplie oportunidades e garanta direitos para nossa juventude”, destacou.
Representando o Ministério da Igualdade Racial, o secretário nacional destacou que o Programa Juventude Negra Viva é fruto de décadas de mobilização do movimento negro e integra uma estratégia nacional construída de forma participativa. Segundo ele, o plano reúne mais de 200 ações articuladas entre diferentes ministérios e depende da atuação conjunta entre governos e sociedade civil, para alcançar resultados concretos.
“O Plano Juventude Negra Viva foi construído exatamente da forma como estamos reunidos aqui hoje: através da participação social. Trata-se de uma agenda ampla, coordenada pelo Ministério da Igualdade Racial e pela Secretaria Nacional de Juventude, mas que envolve mais de 17 ministérios. Essa articulação demonstra o compromisso do governo federal com o tema. O presidente Lula tem reafirmado que não há projeto de desenvolvimento para o Brasil sem a proteção e a valorização da juventude negra e periférica”, enfatizou.
Durante a reunião, Tiago Santana ressaltou que a participação social é um dos pilares centrais da política e defendeu a criação e o fortalecimento de espaços de acompanhamento local, com a presença de movimentos sociais, organizações juvenis, poder público e legislativo. “Por isso, criamos também a figura dos agentes territoriais, justamente para fortalecer a relação entre as políticas públicas e os territórios. Estamos falando de políticas voltadas para a juventude, e elas só serão efetivas se as próprias juventudes participarem da sua construção e acompanhamento. As adesões formais dos municípios e estados são importantes, mas, sozinhas, não são suficientes. O que realmente faz a diferença é a construção de um compromisso coletivo. Nesse sentido, o papel do Poder Legislativo é fundamental”, afirmou.
O encontro também serviu para apresentar perspectivas sobre a implementação do programa no município e reforçar a importância da participação popular no acompanhamento das ações que serão desenvolvidas nos próximos anos. Participaram da reunião representantes de entidades como a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), o Levante Popular da Juventude, a União da Juventude Socialista (UJS), a Associação de Juventudes, Cultura e Cidadania (Ajurcc), o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neab-í) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, a Associação Cultural e Agrícola dos Jovens Ambientalistas da Paraíba (Acajaman), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a Batalha do Bacurau e outras organizações que atuam na defesa dos direitos da juventude negra no município.
Assessoria de Imprensa

